Ourique FM

Crónica de Natal

18/12/2017

P. Hugo Gonçalves

 Todos nós apreciamos esta época, não só porque reunimos a família, não só porque fazemos trocas de presentes, nem pelas iguarias que comemos e que são quase que exclusivas desta quadra festiva, mas porque há algo mais, porque o que move toda esta azáfama de preparação para a noite e dia de Natal encontra a sua fonte no coração de cada um de nós.

 

Na cultura judaica, e que nasce na noite da Páscoa da libertação do Egipto, o filho mais novo pergunta ao pai: “Porque é que esta noite é diferente de todas as outras noites?”. Talvez esta pergunta se possa colocar nesta noite pelos nossos mais novos e mesmo que estes não o façam, deveríamos nós explicar-lhes porque é que esta noite é diferente de todas as outras noites. O problema poderá residir em se sabemos verdadeiramente dar resposta a esta questão e, talvez, porque é que esta noite pouco é diferente de todas as outras.

 

Este é talvez o momento oportuno de redescobrir o verdadeiro sentido do Natal, de procurarmos dar resposta a tudo aquilo que o nosso coração sente nessa noite. A resposta encontramo-la no presépio, quando nos abeiramos da manjedoura e vislumbramos o rosto de um menino, de um Deus que se fez frágil, indefeso, pobre, para que cada um de nós o possa tomar em seus braços, cuidar, proteger, mas sobre tudo amar.

 

Todos nós conhecemos a história do Natal. De como Maria estando prestes a dar à luz o nosso Salvador, acompanhada por José, não encontraram casa que os acolhesse na cidade de Belém, tendo-se socorrido de uma gruta que servia de estábulo, para aí ter o menino. De como os anjos anunciaram aos pastores o Seu nascimento e como estes foram apressadamente para ver e adorar.

 

Hoje impõe-se colocar a pergunta desafiadora das consciências e vontades: E tu, vais ficar passivo, indiferente, insensível como as gentes de Belém? Vais fechar as portas da tua casa, da tua vida a este menino? Porque para o cristão o Natal não é simplesmente a comemoração de um acontecimento passado, mas de um passado que se faz presente no hoje da celebração natalícia, onde a igreja se torna gruta de Belém, onde o altar se torna manjedoura, onde o nosso olhar pode vislumbrar o rosto do menino Deus, onde os nossos corações se podem encher de ternura, amor e cuidado por este Jesus que nos trouxe o maior e melhor presente de todos: a certeza do amor de Deus que nos chamou à vida eterna.

 

A todos um Santo Natal. Que Jesus abençoe os vossos lares, as vossas famílias, mas de forma particular possa fazer sentir a sua presença naqueles que passam o Natal sozinhos, sem família, doentes e acamados, nas prisões ou nos hospitais.

 

P. Hugo Gonçalves

 

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