Ourique FM

Trailer

08/06/2017

Nuno Alcobia

Luzes, Câmara, Acção!  

 

É com enorme satisfação que reencontro em estreia na televisão, a mítica série Twin Peaks.  Com cerca de 27 anos após a prequela mal amada, Twin Peaks: Os Últimos Sete Dias de Laura Palmer.

 

 

Confesso, sou um apaixonado pelo cinema de David Lynch. É um cinema abstracto, onde por vezes nos perdemos na narrativa, mas tocante na sua essência. Em 2007, David Lynch dizia isto: “O cinema é  capaz de dizer coisas abstractas. E quando as coisas são abstractas, a intuição começa a funcionar. Há uma compreensão que nasce da intuição.” Educadamente nunca sabemos ao que vamos. É exactamente nesse imbróglio que nos encontramos novamente em Twin Peaks. Bares bizarros, figuras estranhas, é o seu universo preferido. A música tem  uma componente muito vincada nas histórias deste realizador. Fica o trailer:

 

São temas “desenterrados” por músicos ou músicas que não lembraria a ninguém, mas o casamento dos sons com a imagem de Lynch é fantástico. Tenho algumas delas ainda bem presentes.

 

A imagem final em Wild at Heart com Nicholas Cage em cima do descapotável a cantar para Laura Dern, Love me Tender de Elvis Presley é qualquer coisa de assombroso. 

 

As figuras estranhas voltam a entrar neste mundo fechado do realizador. Imagine-se no primeiro episódio de Twin Peaks, um jovem rapaz sentado numa velha fábrica, que tem como responsabilidade, ficar a olhar para uma enorme caixa de vidro. No seu interior um género de máquina fotográfica em ponto grande, com um longo buraco no lugar da objectiva. O imberbe rapaz aguarda que possa sair dali qualquer coisa, e dar conta do que vê. Até que uma amiga o vai visitar aquele lugar bizarro, e envolvem-se amorosamente. O olhar do rapaz deixa de se focar na dita caixa, e de repente uma imagem distorcida com laivos de alien, sai por ali a fora e esquarteja o jovem casal. Só se vê uma luz a piscar repetidamente, tipo strobe. É assim mesmo, o mundo deste realizador tão particular, entranha-se através dos sentimentos que absorvemos sem nos apercebermos. As cores garridas, outro dos elementos no cinema Lynchiano. A envolvente e estranha história em que nos encontramos é essencialmente sensorial.

 

É um Twin Peaks ainda mais alternativo. O Céu e o inferno unem-se numa atmosfera inebriante. O realizador filma como se fosse um filme e não uma série para televisão. Os devaneios narrativos são mais que muitos. O cinema de culto agora em série e directamente para o pequeno ecrã. É um regozijo aos nossos olhos.

 

Se tivesse de escolher um local para levar David Lynch que nos remetesse ao seu ambiente, o mais próximo disso seria a Pensão do Amor, no Cais do Sodré.

 

Todo o seu ambiente lynchiano está lá. Panos de veludo vermelho, o ar antigo, o cheiro, senhorinhas vintage recuperadas, candeeiros de tecido aveludado com berloques, enfim, um must. Texturas diversas, bar forrado a espelhos, tapetes, paredes vermelhas, ambiente retro. E ainda, cartazes burlescos de cabarets, bem como uma sala de varão. Ele Ficaria apaixonado!

 

Será que vamos ver referências à comida, em especial ao café e à tarte de mirtilo particularmente deliciosa no restaurante local, o Double R Diner, ou os inevitáveis donuts com geleia, que o agente Cooper tanto gosta.

 

Para ver esta semana. A Missão, um filme de acção e crime com Michelle Rodriguez no principal papel. A eterna companheira de Vin Diesel. O produtor deste filme é o mesmo do último Alien: Covenant.

 

A Universal Pictures traz de novo um dos seus clássicos: A Múmia. Desta vez é uma rainha que desperta da sua cripta debaixo do deserto.

 

E assim me despeço, deixando votos de bons filmes. 

 

A Rádio Ourique de mão dada com a 7ª arte.

 

Saudações cinéfilas!